Criar é selecionar
Ser criativo não é só ter ideias incessantes, mas saber escolher quais ideias materializar
Minha mente está sempre em ebulição; a cada momento, novas ideias pipocam – ilustrações, textos, poemas, projetos que surgem sem parar.
No entanto, com o tempo, comecei a questionar: é realmente necessário materializar tudo que emerge desse oceano criativo? Por muito tempo, acreditei que sim.
Sentia que cada ideia era uma missão a ser cumprida, uma chama que precisava, de algum modo, encontrar seu lugar no mundo.
Se as condições não fossem ideais para materialização de algumas ideias, eu guardava, arquivando-as na esperança de que, em algum momento, pudessem ganhar vida.
Houve períodos em que tentei dar vazão a várias delas simultaneamente, mesmo quando exigiam habilidades e disposições diferentes, o que só me fazia ficar maluco, atolado em uma enorme lista de tarefas e várias metas a cumprir.

Com o tempo, percebi que essa necessidade de realizar todas as ideias também pode ser um caminho perigoso.
Em um período em que muitos de nós somos levados a assumir múltiplas funções, seja na vida ou no trabalho, essa dispersão nos leva a um desgaste físico e mental, consumindo uma energia que, ao ser fragmentada, perde potência. Muitas vezes, nosso entusiasmo inicial se esgota antes mesmo de chegar à materialização de alguma ideia.
Para o bem da nossa sanidade, algumas ideias precisam, sim, ser deixadas para trás. E tudo bem. Nem tudo que inspira precisa ganhar forma – algumas ideias são belas como são, no campo das possibilidades. Muitas ideias ficam pelo caminho.
A harmonia na criação está em respeitar o tempo das ideias – nem tudo precisa se pra agora, ou feito por nós.
Às vezes, abrir mão de uma ideia é o que permite que outra floresça com intensidade. No meio do nosso acervo, é sábio priorizar o que mais ressoa com o nosso propósito atual. E não é que não possamos ter várias frentes criativas; o ponto é saber gerenciar nosso foco e energia para que essas criações não se tornem fardos, mas expressões autênticas.

Liberar uma boa ideia não significa descartá-la por falta de valor; significa permitir que ela permaneça no campo das ideias, onde poderá encontrar outra consciência, talvez mais preparada para trazê-la ao mundo. E assim abrimos espaço para nos conectarmos de maneira mais profunda com as ideias que realmente refletem nosso espírito e visão atual.
Criatividade também é saber escolher o que vamos nutrir e onde, afinal, queremos investir nossa energia criativa – com foco, sanidade e o cuidado que ela merece.
Você pode receber esses textos em primeira mão na sua caixa de e-mail ou pelo app do Substack, basta se inscrever na minha newsletter no campo abaixo: