Na arte não há fim, só caminho
Há tempos venho estudando e aprimorando minhas habilidades com o desenho e a ilustração. Mas, por mais que eu esteja sempre aprendendo, sempre há algo a ser aperfeiçoado.
Na arte, é assim: não há um destino final onde “zeramos” o aprendizado e nos tornamos mestres onipotentes. Nada disso. O que existe é um caminhar constante, recheado de descobertas, e o andar dessa carruagem é único para cada indivíduo.

De certa forma, me considero um pouco medíocre no que faço, seja na ilustração, seja na música. Mas comparação é quase um ritual entre artistas, né?
Quando olho para minhas referências, tanto na técnica quanto, principalmente, na criatividade, percebo o quanto ainda estou longe de expressar minha arte com a magia e o encanto que gostaria.
E, por mais que eu estude e evolua, mesmo que num ritmo que acho lento, já me frustrei inúmeras vezes ao longo do caminho, a ponto de querer abandonar qualquer ligada a desenho, mas a verdade é que não consigo, pois sempre acabo sendo puxado de volta. É maior do que eu.

E eis que me lembro de alguns trechos da música “O Processo” do Bnegão & Seletores de Frequência:
“Paciência é a sapiência do espírito / Viver no presente é a base, a chave / Pra seguir bem na viagem / Evita o desgaste desnecessário (…) O processo é lento / O desapego do resultado é importante (…) O negócio é seguir no melhor estilo conta-gotas / Numa relax / Numa tranquila / Numa boa. Dentro das possibilidades, procurar a melhor opção / Realidade não é sempre o que parece / Aceitação e compreensão da situação baixa consideravelmente a taxa de stress”
E por que continuo fazendo o que faço? Desenhando, ilustrando, mesmo que ainda distante do ideal?
A resposta é simples: porque eu gosto e porque quero. Porque, mesmo longe desse ideal imaginário que talvez eu nunca alcance, sigo evoluindo, criando coisas legais e me orgulhando do processo — mesmo das que podem parecer bobas ou pequenas.
Nessas horas, me amparo na frase do poeta Manoel de Barros: “(…) a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”
Tenho feito alguns remakes de tirinhas antigas minhas — aquelas em que a piada ainda funciona, mas que o desenho já não me agrada tanto no olhar que tenho hoje. E é bem bacana perceber a evolução do meu traço, como no exemplo abaixo.


Não que eu tenha virado um Kim Jung Gi da vida, mas dá pra notar umas mudanças sutis que deram uma enriquecida no meu trabalho. Como é cartum pra tira cômica, a evolução não é nada gritante, mas tá lá: mais noção de profundidade e volumetria, mais personalidade no traço e no design dos personagens… Essas pequenas melhorias são o que me motiva a continuar.
E, de verdade, embora eu me cobre por melhorias (e assim a gente segue), me divirto com meus próprios desenhos. E isso é só uma parte da minha vida, porque há outros aspectos que são ainda mais importantes do que simplesmente algum ofício ou hobby.
Por hora é só. Até a próxima.
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